Amamentação: Mitos e Dificuldades Comuns nas Primeiras Semanas
08 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
Agosto Dourado, campanha nacional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para promover, proteger e apoiar o aleitamento materno, também é o mês em que mais dúvidas chegam ao consultório, boa parte delas alimentada por mitos que atrapalham o início da amamentação.

Os mitos mais comuns
- "Leite fraco" não existe. O leite se adapta à necessidade do bebê a cada mamada; a sensação de pouco leite quase sempre vem da pega incorreta ou da insegurança materna.
- Dor ao amamentar não é normal. Um desconforto leve nos primeiros dias é comum, mas dor persistente costuma indicar pega incorreta e merece avaliação.
- O bebê amamentado não precisa de água, nem em dias quentes: o leite materno já contém a água necessária, e líquidos extras antes dos 6 meses podem reduzir a ingestão de leite e o ganho de peso.
- Seios pequenos produzem leite normalmente. O tamanho da mama reflete o tecido adiposo, não a quantidade de glândula mamária responsável pela produção.
Dificuldades mais frequentes e como lidar com elas
Pega Incorreta
É a causa mais comum de dor, fissuras e baixa transferência de leite. Avaliar a pega e a posição, idealmente ainda na maternidade e reforçada nas primeiras consultas, resolve a maior parte dos casos.
Ingurgitamento Mamário
Costuma surgir entre o 3º e o 5º dia, quando aumenta a produção de leite. Esvaziar a mama com frequência, pela sucção do bebê ou por ordenha, alivia o quadro.
Fissuras Mamilares
Na maioria das vezes vêm da pega inadequada, não da pele sensível. Corrigir a pega ajuda mais que cremes ou protetores.
Quantidade de Leite
Fraldas molhadas, evacuações, o ganho de peso nas consultas de puericultura e o comportamento do bebê entre as mamadas dão uma medida mais confiável do que a sensação de "ter pouco leite".
Retorno ao Trabalho
Ordenhar e armazenar o leite corretamente permite manter a amamentação mesmo com a rotina profissional. Planejar isso ainda durante a licença-maternidade facilita a transição.
O que diz a ciência?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a SBP recomendam aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida, com manutenção do aleitamento complementado até os 2 anos ou mais. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde, sustenta essa recomendação com evidências sobre desenvolvimento imunológico, cognitivo e redução de risco de infecções.
A maioria dos desmames precoces acontece por dificuldades não resolvidas nas primeiras semanas. O suporte certo nesse período faz toda a diferença.
Quando buscar ajuda?
Vale procurar orientação pediátrica sem esperar a próxima consulta de rotina se houver:
- Dor persistente ou fissuras que não melhoram.
- Febre, vermelhidão ou mama endurecida (possíveis sinais de mastite).
- Poucas fraldas molhadas ou ganho de peso abaixo do esperado no bebê.
- Insegurança sobre se o bebê está mamando o suficiente.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS): Recomendações Sobre Aleitamento Materno Exclusivo. Acesso em: 08 ago. 2026.
- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): Guia Prático de Aleitamento Materno. Acesso em: 08 ago. 2026.
- Ministério da Saúde: Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Acesso em: 08 ago. 2026.
Precisa de apoio na amamentação?
Acompanho mães e bebês desde os primeiros dias, com orientação individualizada sobre pega, produção de leite e como superar as dificuldades mais comuns, inclusive em atendimento domiciliar logo após a alta da maternidade.
Agende uma consulta pelo WhatsApp
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica individualizada.